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PJ quer nova forma de comunicar com jornalistas para defender segredo de justiça

04/01/2019 13:57

O diretor nacional da Polícia Judiciária (PJ), Luís Neves, disse hoje que a instituição quer criar novas regras de comunicação com os jornalistas, que permitam terminar com as sucessivas e gritantes violações do segredo de justiça.

Nós queremos ter uma forma nova de comunicar com a comunicação social, que passe pelo estabelecimento de algumas regras, afirmou, sublinhando que estão a ser procuradas soluções internamente para contribuir para que o segredo, quando tem que ser guardado, seja efetivamente guardado.

Aquele responsável, que falava aos jornalistas, em Faro, após a posse do diretor da diretoria do Sul da PJ, o procurador António Madureira, frisou que tem uma cultura de segredo na instituição e que as fugas de informação, quando não autorizadas, devem preocupar qualquer pessoa séria.

O que nós não podemos continuar a assistir de forma impávida e serena é a sucessivas e gritantes violações que colocam em causa a própria investigação, que é aquela que deve ser defendida, e que colocam em causa a dignidade e a honra das pessoas, muitas vezes injustificadamente, argumentou.

Quando questionado acerca de uma alegada permissividade da PJ e do Ministério Público em relação às fugas de informação, Luís Neves referiu que qualquer interveniente processual pode ser responsável nessa matéria e que o jornalista não é propriamente responsável, porque tem de fazer o seu trabalho.

O diretor nacional da PJ mostrou-se ainda preocupado com a falta de meios humanos na instituição, devido a uma sangria de quadros ao longo dos últimos anos, que não têm sido repostos e adiantou que serão abertos, em breve, novos concursos para a contratação de inspetores.

Está previsto expressamente no Orçamento do Estado a abertura de concurso para inspetores, afirmou, esclarecendo que espera, nos próximos dias, num curto espaço de tempo, proceder à abertura de novos concursos para inspetores.

No que toca às instalações da PJ em Faro - cuja mudança é reivindicada há vários anos -, Luís Neves assumiu que a capital algarvia não tem as condições adequadas para o funcionamento de investigação criminal com a dignidade e a funcionalidade que se exige.

Como tal, disse, a direção nacional está à procura de soluções, que não demorem muitos anos, admitindo, no entanto, que encontrar condições nesta matéria “demorará sempre anos”, mas referindo que espera apenas que não sejam décadas.

Esta foi a primeira vez que a cerimónia de tomada de posse de um diretor da diretoria do Sul da PJ decorreu nas instalações em Faro, que se mostraram exíguas para acolher o número de pessoas que assistiram à cerimónia.

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