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Guimarães expõe um dos mais secretos segmentos de trabalho de Rui Chafes

02/12/2018 09:42

A exposição Desenhos sem Fim, de Rui Chafes, concebida para o Centro Internacional das Artes José de Guimarães (CIAJG), é inaugurada no próximo sábado e completa o ciclo expositivo deste ano da instituição vimaranense, que prossegue até fevereiro.

Em Desenhos sem Fim, com curadoria de Delfim Sardo e Nuno Faria, visita-se a produção em desenho de Rui Chafes, um dos mais secretos segmentos de trabalho do escultor, Prémio Pessoa 2015, uma luminosa revelação de um imenso e denso universo de fantasmas e formas, ainda por conhecer como um todo, como escreve a Oficina, cooperativa municipal que gere o CIAJG, na apresentação da mostra.

O desenho, refere a cooperativa, é, na obra de Rui Chafes, o lugar do segredo e do intervalo, surgindo normalmente em períodos de pausa, mais ou menos longos, na prática da escultura, e desenvolve-se ao longo de todo o percurso do artista.

Nesta exposição, o CIAJG permite um olhar retrospetivo sobre uma produção que começou de forma consistente em 1987, e que prossegue até aos dias de hoje, sendo a montra composta por diferentes formatos, sobre papéis diversos, realizados com materiais tão distintos, ortodoxos ou heterodoxos, quanto a grafite, o guache, o chá, o pó do atelier, o pólen de flores ou remédios vários, tais como o mercurocromo ou a tintura de iodo, feitos com uma linha no limite da visibilidade ou com manchas generosas que se expandem na folha de papel.

Os desenhos de Rui Chafes surgem como o resultado de uma sismografia, registando os seres, os lugares, as energias, os momentos de felicidade e de desgosto, os dias de frio e de calor, a memória e o desejo, fazendo emergir o passado à superfície do papel ou antecipando aquilo que está por vir, aponta a Oficina.

A mostra de Rui Chafes junta-se à Constelação Cutileiro, uma espécie de cartografia celeste do escultor João Cutileiro, e à exposição de José de Guimarães, Da Dobra e do Corte - Maquetas e Obras em Cartão, inauguradas em outubro, e que vão coabitar durante os próximos dois meses, dando corpo ao terceiro e último ciclo expositivo do CIAJG, de 2018.

As exposições deste ciclo, especificamente produzidas para o espaço do Centro, respondem ao desafio de revelar grupos de trabalho inéditos ou menos conhecidos de artistas centrais do panorama artístico em Portugal, contribuindo para elucidar e ampliar o conhecimento dos respetivos percursos, segundo a Oficina.

Nestas extensas mostras dedicadas a estes artistas, explica a cooperativa, lança-se igualmente um olhar retrospetivo sobre os anos iniciais do trabalho de João Cutileiro, altura em que, entre Londres e Évora, redefiniu a prática da escultura em Portugal, e resgata-se do atelier de José de Guimarães um conjunto de pequenas esculturas nunca antes mostradas, que desvelam uma rara prática experimental e processual do pintor e escultor que dá nome ao centro.

Desenhos sem Fim, Constelação Cutileiro e Da dobra e do corte podem ser visitadas até 10 de fevereiro.