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Acidente/Borba: Operação de resgate de vítimas é “de grande complexidade” - especialista

19/11/2018 20:57

A operação de busca e resgate de vítimas do deslizamento de terras numa estrada do concelho de Borba, que arrastou viaturas para uma pedreira, é de grande complexidade e poderá durar horas ou dias, segundo um especialista.

É, de facto, uma operação de grande complexidade, por várias razões, e pode demorar horas ou vários dias, dependendo da maior ou menor dificuldade no acesso às vítimas, disse à agência Lusa o presidente da Associação Portuguesa de Técnicos de Segurança e Proteção Civil (AsproCivil), Ricardo Ribeiro.

Segundo o também comandante dos Bombeiros Voluntários de Paço de Arcos, antes de mais, a grande complexidade da operação, ainda hoje, deve-se ao facto de já ser de noite e à distância entre o teatro de operações e alguns meios diferenciados de socorro, como equipas de mergulhadores.

De acordo com as informações disponíveis, frisou, a parte da pedreira onde ocorreu o deslizamento de terras não tem acesso direto, ou seja, o acesso é feito verticalmente, através de meios mecânicos.

Portanto, há a necessidade de fazer o socorro através daquilo a que chamamos o grande ângulo, ou seja, através de corda e com uma maca de evacuação vertical, explicou.

Depois, continuou, há um outro aspeto a ter em conta, que é a segurança das equipas de socorro, porque as autoridades ainda estão a avaliar o risco de haver continuidade de movimentação de terras, ou seja, de novos deslizamentos.

A grande complexidade da operação advém também do facto de não haver visibilidade na área líquida da pedreira para se encontrar as vítimas e de, para já, não se saber o local exato das vítimas, quantas vítimas são e em que estado estão, ou seja, se estão dentro ou fora das viaturas arrastadas, se estão só subterradas ou só submersas ou se estão subterradas e submersas, explicou.

Portanto, há uma série de variáveis que o comandante das operações de socorro tem de ter em conta para tomar as suas decisões de comando, sublinhou.

Por isso, foram chamadas várias entidades e toda uma complexidade de técnicos, que têm visões diferenciadas do mesmo problema e que podem sustentar as decisões do comandante das operações de socorro.

Segundo Ricardo Ribeiro, a operação pode demorar horas ou vários dias, dependendo do local onde estiveram as vítimas e da acessibilidade até elas.

O aluimento não foi só de terras, já que houve uma estrada que desabou e, junto com ela, paralelepípedos de granito e o material que a sustentou, durante dezenas de anos, o que criou um fluxo de resíduos, que tem uma força destruidora muito grande e, certamente, envolveu as vítimas e acaba por limitar e dificultar o acesso às mesmas.

Portanto, o tempo do teatro de operações vai depender da maior ou menor dificuldade no acesso às vítimas, rematou.

Segundo disse à Lusa fonte do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), o aluimento de um troço da Estrada Nacional (EN) 255, no percurso entre Borba e Vila Viçosa, cujo alerta foi dado às 15:45, provocou a queda de dois veículos civis para dentro de uma pedreira com 50 metros de profundidade e o deslocamento de uma retroescavadora com o maquinista e auxiliar

De acordo com a mesma fonte, as equipas de socorro já estabeleceram contacto visual com a retroescavadora e uma das vítimas arrastadas hoje à tarde para o interior da pedreira.

O deslizamento de terras provocou, pelo menos, dois mortos, ou seja, dois operários da empresa que explora a pedreira, divulgou o Comandante Distrital de Operações de Socorro de Évora, José Ribeiro.