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Ordem dos Médicos alerta Governo sobre sucessivas falhas nos sistemas informáticos

08/11/2018 14:17

A Ordem dos Médicos enviou um ofício ao Ministério da Saúde e aos Serviços Partilhados (SPMS) a alertar para as “sucessivas falhas nos sistemas informáticos” e a “excessiva burocratização” que penaliza a relação médico-doente nas consultas.

“Não só são exigidos aos médicos cada vez mais procedimentos informáticos supérfluos, que só penalizam o tempo destinado a observar os doentes e podem comprometer a qualidade dos cuidados de saúde, como os próprios sistemas e aplicações que nos obrigam a utilizar não funcionam muitas vezes”, alerta o bastonário da Ordem dos Médicos (OM), Miguel Guimarães, num comunicado hoje divulgado.

No ofício enviado ao Ministério da Saúde e aos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde, Miguel Guimarães dá conta desta situação, que considera “uma vergonha”.

Para evidenciar os problemas que estão a ser vividos pelos médicos, o bastonário divulga o relato de uma “médica desgastada com os problemas informáticos”.

“Os danos informáticos infiltram toda a nossa prática clínica, pela raiva que nos provoca o facto de serem estúpidos, injustificáveis, alvo de propaganda desonesta e arbitrários; é que enquanto andamos nisto e bufamos e praguejamos todos os dias frente às aplicações informáticas que não funcionam, não estamos a ser empáticos, não estamos a questionar a nossa própria prática, não estamos a pesquisar fontes de informação credíveis que a sustentem, não estamos a ser criativos, a investigar, a apoiar-nos mutuamente dentro das equipas...”, desabafa a médica.

Em julho, Miguel Guimarães já tinha alertado os mesmos responsáveis políticos, para uma circular normativa emitida pela gestão dos sistemas informáticos das unidades de saúde, na qual integravam mais um procedimento para emissão de receituário que veio aumentar o tempo dedicado ao computador e ao cumprimento de burocracias administrativas, penalizando o tempo útil dedicado ao doente.

“Obrigar os médicos, devido às várias falhas informáticas que se repetem no sistema da prescrição da ‘receita sem papel’, a interromper o tempo de consulta para solicitar ao ‘helpdesk’ um número de suporte que apenas serve para identificar a receita que estão a prescrever na sua versão manual, mostra de forma clara o caminho errado que está a ser seguido”, afirmou então Miguel Guimarães.

Para o bastonário da OM, “a modernização dos sistemas informáticos devia servir para agilizar e não para comprometer a relação médico-doente”, condenando “a forma negligente com que se está a lidar com a atual situação caótica nos sistemas informáticos”.

“As fragilidades constantes do sistema não servem os doentes nem os profissionais de saúde. O que deveria ser um sistema ágil, seguro e eficaz, está a tornar-se um verdadeiro pesadelo”, vinca ainda Miguel Guimarães, ressalvando que não está em causa a evolução tecnológica e informática, mas sim sucessivas falhas no sistema, agravadas pela obrigatoriedade de cada vez mais “passos informáticos”.