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OE2019: Hugo Soares diz que palavra política de António Costa “vale muito poucochinho”

29/10/2018 20:42

O ex-líder parlamentar do PSD Hugo Soares afirmou hoje que a palavra política do Governo e do primeiro-ministro “vale muito poucochinho”, acusando António Costa de trocar o futuro do país pelo seu futuro político.

“Na verdade, trocam o futuro pelo vosso umbigo político. Este Orçamento do Estado (OE) é uma espécie de última cartada para António Costa tentar ganhar as eleições que nunca ganhou. Em suma, os senhores preferem o estado eleitoral ao Estado social”, criticou Hugo Soares, numa intervenção em nome do PSD no debate na generalidade da proposta orçamental do Governo para 2019.

Hugo Soares, que deixou de ser líder parlamentar com a eleição de Rui Rio como presidente do partido, recuperou uma expressão utilizada por António Costa para classificar a vitória do PS nas europeias de 2014, quando o partido ainda era liderado por António José Seguro.

“Hoje sabemos quanto vale a palavra política do Governo e de António Costa: vale pouco, vale muito poucochinho”, acusou, numa intervenção aplaudida de pé por quase toda a bancada social-democrata.

No entanto, o líder parlamentar e o primeiro vice da bancada social-democrata, Fernando Negrão e Adão Silva, aplaudiram Hugo Soares, mas sentados.

Referindo-se ao discurso de tomada de posse de António Costa, em 2015, Hugo Soares recordou que o primeiro-ministro prometia então uma aposta no alívio fiscal, no investimento público e na melhoria de bens e serviços públicos.

“Sabemos hoje que, no que diz respeito ao alívio da asfixia fiscal, o Governo propõe a maior carga fiscal de sempre. Sabemos hoje que a aposta no investimento público ainda não atinge sequer os níveis do ano de 2015. E sabemos hoje que, quanto à garantia de melhores serviços públicos, qualquer contacto com a realidade desmascara essa intenção”, criticou.

Na sua intervenção, Hugo Soares considerou que o Governo propõe um Orçamento “sem ambição e sem consolidação”, acusando o executivo de ter “desistido de crescer quando se acorrentou ao BE e ao PCP”.

“À geringonça sobra em conversa fiada o que falta em ambição”, criticou.

Por outro lado, o deputado social-democrata recuperou as divergências apontadas pela Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO) entre o valor do défice anunciado e as contas inscritas nos mapas do OE.

“O país ainda não percebeu se deve confiar nas palavras do Governo ou nas contas do Governo (…) Dá a sensação de que nas palavras temos o ministro das Finanças presidente do Eurogrupo; nas contas temos o ministro Centeno que quer agradar ao PCP e BE”, apontou.

Acusando o Governo de agir como “uma cigarra fanfarrona”, que desaproveita o ciclo económico, Hugo Soares classificou ainda o documento como “efémero” por não estimular a poupança e não gerar riqueza.

“Uma espécie de orçamento pastilha elástica: para usar, gastar e deitar fora”, criticou.

Hugo Soares incluiu BE e PCP na responsabilidade por este documento: “Fingem ser oposição, mas amanhã, com todos os deputados de pé aprovarão o vosso OE”.

“Não fosse a obsessão do dr. António Costa consigo próprio e hoje podíamos ter menos carga fiscal, mais e melhor crescimento económico, mais e melhores serviços públicos”, lamentou.

Na resposta, a vice-presidente da bancada do PS Jamila Madeira questionou se a intervenção de Hugo Soares “não fará mais mossa ao PSD ou à bancada do PSD do que ao Governo e ao PS”.

“Ouvi-lo é como ver a ARTV (canal da Assembleia da República) ou a RTP memória”, criticou, desafiando o PSD a ser “sincero e transparente” com os portugueses e a dizer que se, fosse Governo, cortaria na saúde, na Segurança Social ou no abono de família.

Jamila Madeira salientou que “Portugal cresce sustentadamente há 19 trimestres consecutivos e em convergência com a zona euro”, o que levou Hugo Soares a concordar com a afirmação, que atira o início do crescimento para “o governo de salvação nacional liderado pelo PSD”.

“Se perguntar aos portugueses, tenho a certeza que não querem ver na RTP Memória o Governo que a senhora deputada apoiou e levou o país à bancarrota”, acrescentou Hugo Soares, que hoje regressou à primeira fila da bancada social-democrata.

Também a deputada do BE Joana Mortágua acusou Hugo Soares de ter “saudades da ‘troika’” e o PSD de estar “parado no tempo”.

“Nem o orçamento é eleitoralista nem é austeritário, mas o PSD vai alternando as mentiras porque está desorientado”, acusou.