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Uma em cada cinco livrarias da base de dados do Ministério da Cultura já não existe

21/08/2018 00:02

Uma em cada cinco livrarias da base de dados do Ministério da Cultura sobre a rede livreira nacional já não existe e, das restantes, a tutela só tem conhecimento de um terço que cumpre os requisitos para ser livraria.

Nos últimos tempos muitas livrarias independentes têm encerrado, algumas delas históricas.

Os livreiros têm denunciado estes encerramentos e alertam para a situação de asfixia que vivem as livrarias independentes, apelando a medidas concretas que ajudem à sua sobrevivência.

Neste contexto, o Ministério da Cultura decidiu fazer um levantamento das livrarias portuguesas, e da sua localização, através de inquéritos diretos, o último dos quais em finais de 2017, seguindo as orientações do Grupo de Trabalho sobre Livrarias, nomeado pela tutela.

Na base de dados de livrarias que a Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas possui constam 558 registos que englobam livrarias, papelarias, livrarias/papelarias, nas suas diferentes áreas de especialidade: alfarrabistas, infanto-juvenis, generalistas, banda-desenhada, municipais, técnicas/especializadas que abrangem o continente e as ilhas.

Através dos inquéritos enviados às livrarias constantes da base de dados da DGLAB, verificou-se que 22% “vieram devolvidos”, o que significa que as livrarias em causa já estavam encerradas ou os seus endereços desatualizados, acrescentou.

Acresce a isto que, das restantes 438 livrarias, só 189 – menos de metade - responderam ao inquérito e dessas “só 130 respeitam os requisitos básicos para uma livraria definidos pelo grupo de trabalho”.

Os números oficiais revelados são inferiores aos apontados pela Associação Portuguesa de Editores e Livreiros, que fala em mais de 600 livrarias.

A APEL acrescentou estar “naturalmente” atenta “ao que está a acontecer com várias livrarias de renome - que estão a fechar ou a reconverter-se - e [têm sido feitas] chamadas de atenção, tanto ao Governo, como às autarquias, apontando as dificuldades sofridas pela classe com rendas atuais e a alteração dos hábitos de consumo dos portugueses”.

A APEL não referiu, contudo, qualquer eventual incumprimento da lei da concorrência e da lei do preço fixo, por parte das grandes cadeias de livrarias, de que se queixam as livrarias independentes.