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PJ realiza 70 buscas no continente e nos Açores a autarquias e instalações partidárias

27/06/2018 15:57

A Polícia Judiciária (PJ) realizou hoje cerca de 70 buscas, incluindo a autarquias, sociedades e instalações partidárias, no continente e no arquipélago dos Açores, segundo a Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa (PGDL), adiantando estarem em causa crimes económicos, como corrupção.

No âmbito deste inquérito investigam-se crimes de corrupção passiva, tráfico de influência, participação económica em negócio e financiamento proibido.

“Segundo os fortes indícios recolhidos apurou-se, no essencial, que um grupo de indivíduos ligados às estruturas de partido político [desenvolveu] influências destinadas a alcançar a celebração de contratos públicos, incluindo avenças com pessoas singulares e outras posições estratégicas”, refere a PGDL, na sua página da internet.

A PGDL acrescenta que foram realizadas cerca de 70 buscas domiciliárias e não domiciliárias, incluindo a escritórios de advogados, autarquias, sociedades e instalações partidárias, em diversas zonas de Portugal continental e nos Açores.

As buscas foram acompanhadas por três juízes de instrução, 12 magistrados do Ministério Público (MP), peritos informáticos e financeiros e inspetores da Polícia Judiciária em número que ascende a cerca de 200.

Estas operações de buscas foram efetuadas com a colaboração da Unidade Nacional de Combate à Corrupção (UNCC) da PJ.

O inquérito encontra-se em segredo de justiça e a investigação prossegue sob a direção do MP na Secção Distrital (ex-9.ª secção) do Departamento de investigação e Ação Penal de Lisboa/sede, com a coadjuvação da UNCC.

Algumas das buscas ocorreram na concelhia de Lisboa do PS, na distrital de Lisboa do PSD e em três juntas de freguesia da capital, confirmaram hoje de manhã à agência Lusa fontes partidárias.

Fonte oficial do PS confirmou que a PJ e o MP se deslocaram esta manhã à sede do partido e à concelhia de Lisboa.

O PS colaborou em tudo o que lhe foi solicitado pelas autoridades, referiu fonte oficial dos socialistas.

Fonte do PSD disse à Lusa que houve buscas na distrital de Lisboa e nas juntas de freguesia de Santo António, Estrela e Areeiro. Segundo a mesma fonte, estão em investigação alegados “favorecimentos a militantes” do partido, “através de ajustes diretos”, para a contratação de pessoal e a adjudicação de serviços a empresas ligadas ou controladas por dirigentes políticos do partido.

O presidente da Junta de Freguesia de Santo António, Vasco Morgado (PSD), disse à Lusa, pelas 12:00, que não tinha chegado nenhum inspetor da PJ à autarquia: “Não veio cá ninguém. Se calhar virão, até à hora ainda não. Também soube pelo jornal”, afirmou o autarca.

A notícia da realização de buscas foi adiantada pela edição ‘online’ da revista Sábado.

Em causa, refere a Sábado, estão suspeitas da prática de crimes económico financeiros decorrentes da contratação de pessoal e da adjudicação direta de serviços a empresas ligadas ou controladas por dirigentes políticos sobretudo do PSD.

Um dos principais visados na operação, indica a revista, é o social-democrata Carlos Eduardo Reis, conselheiro nacional do PSD e ex-presidente da JSD de Braga que apoiou Santana Lopes nas últimas diretas para a liderança do partido.

Carlos Reis controla várias empresas que ganharam inúmeras adjudicações diretas de autarquias controladas pelo PSD e também pelo PS, acrescenta a Sábado.

Também na sua edição ‘online’, o Jornal de Notícias (JN) avança que as buscas da Polícia Judiciária têm por alvos instalações do PSD e do PS, câmaras municipais, juntas de freguesia, empresas, escritórios de advogados e domicílios particulares.

O JN acrescenta que as buscas decorrem entre os distritos de Braga e Faro e também nas ilhas, sendo que em Lisboa visam, entre outros alvos, instalações da distrital do PSD, da concelhia do PS, bem como as três juntas de freguesia.

Segundo o JN, apesar de também apontar para o PS, a investigação visa uma rede de clientes que envolve maioritariamente empresas e autarquias lideradas por militantes do PSD. Estão em causa os contratos adjudicados por duas a três dezenas de autarquias, entre câmaras municipais e juntas de freguesia, a várias empresas.