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Guerra comercial pode custar até 2,5% do PIB português em três anos - BdP

21/06/2018 15:42

Uma guerra comercial pode custar entre 0,7% e 2,5% do PIB português em três anos, caso se mantenha limitada aos EUA e aos seus principais parceiros ou se se tornar global, segundo o Banco de Portugal (BdP).

Sendo Portugal uma economia relativamente aberta ao exterior, a redução da atividade e do comércio a nível global tem um efeito adverso sobre a economia portuguesa, avisa o BdP no Boletim Económico divulgado hoje.

No documento, o BdP tem em consideração dois cenários: um de guerra comercial limitada, que considera uma escalada das tensões comerciais entre os EUA e todos os seus parceiros comerciais, e outro de guerra comerial generalizada, à escala global, em que todos os países impõem direitos aduaneiros sobre as importações dos restantes.

Ambos os cenários implicam um aumento dos preços de exportação de 10%, sendo que numa guerra comercial limitada eles se aplicam aos EUA e todos os seus parceiros comerciais (sendo de destacar o México, o Canadá, a China e a União Europeia) e no caso de uma guerra comercial global esse aumento dos preços no comércio internacional é generalizado.

Embora admita que a probabilidade de ocorrência destes cenários é discutível, o BdP admite que a probabilidade de uma guerra comercial limitada é claramente mais elevada do que uma guerra generalizada.

Sendo Portugal uma economia relativamente aberta ao exterior, a redução da atividade e do comércio a nível global tem um efeito adverso sobre a economia portuguesa, alerta o banco central.

No primeiro cenário, estima o BdP, verifica-se uma redução da atividade económica em Portugal ao longo dos três anos que ascende a 0,7%, com um aumento dos preços de 0,4%.

No cenário mais severo, o impacto negativo acumulado sobre o PIB é de 2,5%, sendo o impacto acumulado sobre os preços no consumidor de 1,4%, prevê.

Estes números surgem numa altura em que os riscos de um maior protecionismo ao nível das trocas comerciais globais tem vindo a aumentar, impulsionados em larga medida pela retórica e ações recentes dos EUA, bem como pelas ameaças de retaliação dos seus parceiros comerciais, observa o BdP.

O banco central defende que a imposição de barreiras às importações reduz o bem-estar da sociedade e potencia uma afetação ineficiente de recursos, constituindo uma resposta desadequada aos desafios colocados pelo comércio internacional.

Em causa está o anúncio recente pelos EUA de um aumento das tarifas sobre as importações de aço e alumínio de um conjunto de parceiros comerciais.

Desde 01 de junho que os EUA aplicam uma taxa de 25% sobre o aço e de 10% sobre o alumínio importados da União Europeia. Em resposta, a UE vai aplicar uma taxa de 25% em alguns produtos importados dos EUA a partir desta sexta-feira.

O aumento do preço das importações reflete-se, por um lado, numa redução do comércio a nível mundial, com consequências sobre as exportações e a atividade económica dos diferentes países e, por outro lado, num aumento da inflação interna, reduzindo o poder de compra dos agentes económicos e por conseguinte o consumo privado, explica o BdP.