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Haëma e a eletrónica imersiva do álbum de estreia Preamar

20/05/2018 10:42

As Haëma, um duo português que nasceu num berço de jazz, lançam hoje o álbum de estreia, Preamar, de eletrónica imersiva e inspirada no universo da água e do mar, como contaram à agência Lusa.

Preamar, que sai hoje pela editora independente Kambas Records, apresenta a cantora Susana Nunes e a pianista Diana Cangueiro, que criaram as Haëma há seis anos depois de se terem conhecido na escola de jazz do Hot Clube de Portugal.

Começaram por tocar jazz puro até que, num processo de pesquisa sonora, passaram a introduzir mais apontamentos de música eletrónica, pelas potencialidades criativas, até chegarem ao som das Haëma.

A eletrónica oferece a capacidade de misturar fontes sonoras orgânicas com um som que pode ser considerado mais digital. E é essa dualidade de horizontes que nos atrai. Temos umas batidas mais escuras e mais graves e temos uma parte da música que é muito aérea, explicou Diana Cangueiro.

O álbum de estreia tem nove temas, com música e letra de Susana Nunes e arranjos de Diana Cangueiro, e outras tantas faixas instrumentais, que funcionam como pequenos trechos de ligação e contextualização, com sons de chuva, de um barco, de alguém a respirar, de crianças num recreio.

Na música concreta os compositores defendem que a música está sempre a acontecer e eu gosto dessa perspetiva. Eu gosto muito de ouvir as pessoas a falar, o som do ambiente e tudo isso fazia sentido com o contexto das músicas. Não é aleatório, há uma ligação entre as coisas. A música não para de acontecer, afirmou Susana Nunes.

Canções como Peixe voador, Trapézio ou Penélope revelam um trabalho de composição em estúdio que Susana Nunes compara a um bordado: Parece simples, há uma organicidade nas coisas, mas há um trabalho complexo de puzzle.

As duas autoras reconhecem que parte do caminho até à sonoridade atual das Haëma foi feito a ouvir e a fazer versões de outros artistas de quem gostam, como James Blake, Radiohead, Nick Drake ou Bjork.

Mais tarde, no trabalho muito longo e doloroso de estúdio, como recordou Susana Nunes, entrou o baterista e produtor Fred Ferreira e os mil teclados analógicos incríveis que tinha em estúdio, coassinando a produção de Preamar.

Para Susana Nunes, há uma qualidade de imersão na música que fazem e que consideram importante na relação com o público. É aí que queremos chegar. O que acontece quando a música tem uma característica imersiva, as pessoas chegam a elas próprias e nós chegamos até elas.

As duas autoras preparam agora a transposição de Preamar para palco - a primeira atuação é no dia 25 no espaço Banco, em Lisboa - e apesar de toda a parafernália necessária, com muitos cabos, muitas entradas, muitos canais, três teclados, um sampler, um processador de efeitos, eletrónica, pedais de efeitos, instrumentos de cordas, garantem que há espaço para a improvisação, num regresso às origens.

Diana Cangueiro, 38 anos, nascida em Paris e a viver em Lisboa desde a adolescência, fez o curso de Farmácia e recentemente terminou a licenciatura em piano.

Susana Nunes, 26 anos, natural de Esposende, rumou a Lisboa para estudar no Hot Clube de Portugal, passando depois pela Escola Superior de Música de Lisboa, estando atualmente a fazer um mestrado em arte sonora na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa.