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“Territórios Dramáticos” em Famalicão arrancam sexta-feira e abrem novo espaço cultural

17/05/2018 16:42

A segunda edição do encontro “Territórios Dramáticos” arranca sexta-feira e é definida como um “observatório dedicado à dramaturgia nacional”, sendo também o primeiro projeto apresentado no novo espaço cultural de Vila Nova de Famalicão, o Fauna.

Localizado na vila de Joane, o Fauna será a “nova casa” do Teatro da Didascália e vai receber até 28 de maio aquele projeto que, na edição de 2018, decorre sob os temas “Reescrita da História” e “Teatro fora do Formato”, levando a palco os trabalhos de companhias como a Amarelo Silvestre, Radar 360º ou Hotel Europa.

“O “Territórios Dramáticos” é um projeto “não convencional” que terá como grande novidade este ano o espaço Fauna, que tem um palco com duas plateias possíveis, onde se poderão trabalhar projetos não convencionais, explicou Bruno Martins, diretor artístico do Teatro Didascália.

No primeiro fim de semana do encontro, a Amarelo Silvestre apresenta “Museu da Existência”, inspirado nos livros “Museu da Inocência” e “Um Modesto Manifesto para Museus”, dor turco Orhan Pamuk, Prémio Nobel da Literatura em 2006.

Como explica a Didascália, “o espetáculo conta a história do Sr. Melo que construiu um museu com objetos que as pessoas fazem existir, como a aliança da revolução que acabou com a guerra ou o pão torrado que alimentou um amor clandestino”, estando a mais-valia do espetáculo na forma como é preparado.

“Há um trabalho prévio, o espetáculo é reescrito em cada localidade que se apresenta, com os objetos de cada sítio”, explicou Bruno Martins.

Filipe Caldeira abre o terceiro dia de festival, domingo, com “O cão corre atrás de mim (e o avô Elísio à janela)”, um espetáculo descrito como “um retrato-memória” da infância em que “há espaço para o medo, o risco, a rua, um cão que ladra e talvez morda e um avô à janela”.

A 25 de maio, sobe ao palco “Brisa e Tufão” de Mafalda Saloio, um espetáculo “sobre a força e a leveza do ar”, que fala sobre “como resistir celebrando a vida”.

Sábado, 26 de maio, a companhia Hotel Europa apresenta “Portugal não é um país pequeno”, uma reflexão sobre a ditadura e a presença portuguesa em África, que a partir de testemunhos reais retrata a vida dos antigos colonos portugueses.

Os últimos dois dias do “Territórios Dramáticos” apresentam “Manipula#som” da Radar 360º, um projeto que é “simultaneamente um projeto de investigação criativa e pedagógica”, segundo a organização.

Estão ainda previstas oficinas nos dois fins de semana do evento, que terá no Fauna a sua principal sala.

O Fauna situa-se na vacaria de uma antiga quinta, estando rodeado por jardins e floresta, com o objetivo de “criar um ponto de encontro” entre artistas e público.

“Quem não conhece a companhia poderá esperar um trabalho menos convencional, quem nos conhece sabe que o convencional não faz parte da nossa génese. Trabalhamos de forma muito transdisciplinar, apelidámos o nosso teatro fora do formato no sentido em que cruzamos circo, musica, manipulação de objetos e este é o local ideal para isso”, descreveu Bruno Martins.