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Violência doméstica mata mais de 470 mulheres nos últimos 14 anos

15/05/2018 11:02

Os números da violência doméstica continuam a manchar a contabilidade do Observatório das Mulheres Assassinadas da União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR) que revela que, no ano passado, 20 mulheres foram assassinadas e 28 foram vítimas de tentativa de femicídio. Desde 2004, quando o Observatório foi criado, foram mortas 475 mulheres. Só no distrito de Braga, foram mortas 17 mulheres nos últimos 14 anos.

Números avançados por Ilda Afonso, directora técnica do centro de atendimento para vítimas de violência doméstica na UMAR, no Porto, que ontem promoveu uma acção pública de sensibilização sobre a violência doméstica que decorreu ontem na Avenida Central.

“Alertar as pessoas para as questões da violência doméstica e de alguma forma homenagear as mulheres que foram assassinadas, ao longo destes 18 anos, que a violência doméstica é crime público e, ainda assim, as denúncias são muito poucas e os cidadãos continuam a não se envolver nesta questão e não denunciar este flagelo social”, explicou Ilda Afonso.

Os técnicos envolvidos nesta iniciativa, oriundos de diferentes entidades - GNR, PSP, APAV, Cáritas, Segurança Social - acabam de concluir o Curso de Técnicos de Apoio às Vítimas, promovido pela UMAR, entidade que há mais de 40 anos iniciou em Portugal uma intervenção pioneira nas áreas do feminismo e da igualdade de género, sendo responsável pelo Observatório das Mulheres Assassinadas, cujo trabalho permite a identificação e registo das vítimas de violência doméstica a cada ano em Portugal.

Ilda Afonso afirma que esta acção de rua visa também mostrar que “em Braga existe um grupo de profissionais, homens e mulheres, habilitados, com formação para fazer o atendimento e apoiar as vítimas”, acrescentando que “é importante que as pessoas passem e vejam que existem pessoas que estão a trabalhar para combater este crime e tenham consciência que a violência doméstica não é um conflito, é um crime público e tem de ser punido e combatido por toda a sociedade que não pode ignorar este flagelo social”.

No final ficam três palavras-chave da UMAR: ouve, apoia e denuncia.