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A organização internacional ‘Human Rights Watch` apelou a uma intervenção mais activa do secretário geral da ONU no que se refere ao uso de armas químicas na Síria.

20/04/2018 00:02

Bruno Ugarte, director executivo adjunto para a advocacia ‘Human Rights Watch`, defendeu ontem, em Fafe, “a criação de um mecanismo independente de investigação sobre o recurso a armas químicas na Síria, cabendo a António Guterres agir, segundo o artigo 99 da Carta das Nações Unidas, que permite usar a sua autoridade para estabelecer um mecanismo de atribuição de responsabilidade, capaz de identificar os responsáveis que possam estar a usar armas químicas na Síria”.
Falando numa Conversa de Café sobre ‘O estado dos direitos humanos’, no âmbito do Terra Justa, no dia em que a ‘Human Rights Watch` foi homenageada neste encontro de causas e valores da humanidade, Bruno Ugarte justificou que o apelo lançado a António Guterres seria “uma forma de contornar os sucessivos vetos da Rússia no Conselho de Segurança da ONU”.
Em matéria de direitos humanos, o representante da ‘Human Rights Watch` denunciou que a situação mais grave está a acontecer no Iémen, apontando o dedo às forças lideradas pela Arábia Saudita pelos bombardeamentos naquele país, que contam com o “silêncio cúmplice das democracias ocidentais, como os Estados Unidos, França e Reino Unido que fornecem as armas que alimentam aquele conflito”. O dirigente mostrou-se igualmente preocupado com o “retrocesso” que se tem verificado na política da nova administração de Trump de acolhimento de refugiados nos EUA e que a organização tem acompanhado de perto.
Portugal foi um dos bons exemplos apontados pela organização pela “forma como superou a crise financeira, sem recurso a medidas extremas e um exemplo de esperança no que toca ao acolhimento de refugiados”. Mas, Bruno Bruno Ugarte disse esperar mais de Portugal no papel de mediador na cena internacional, quer na Europa, quer nas Nações Unidas.
O dirigente teceu também rasgados elogios a Fafe, cidade que acolhe um evento internacional sobre direitos humanos. “Fafe tem um espírito único, com um grande compromisso com a justiça e a paz”, vincou.
O ‘Terra Justa’ fez também um tributo ao Movimento Infantil Anti-Armas -‘Never Again’ - com o padre de Fafe, Pedro Daniel, e Alexandre Honrado, coordenador do núcleo português de investigação Nelson Mandela a apontarem pistas ‘aos jovens em acção: Com que armas se faz a paz?’
Alexandre Honrado defendeu que “os jovens devem ser “intolerantes”, denunciando situações de violência doméstica, bullying ou quaisquer outras que ponham em causa os Direitos Humanos”.
O pároco de Fafe afirmou que “a paz nunca se conquista com a guerra, mas sim com a luta porque a guerra pela paz só trará guerra. Esta luta pela paz faz-secom ferramentas como a educação, as palavras, o diálogo e o correcto uso da liberdade.”
O dia terminou com a entrega de medalha de compromisso a Frei Fernando Ventura como Embaixador ‘Terra Justa’.