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Professora acusada de maus-tratos julgada à porta fechada em Barcelos

12/03/2018 12:17

O julgamento de uma professora de duas escolas do 1.º ciclo do concelho de Barcelos acusada de 10 crimes de maus-tratos a alunos arrancou hoje, no Tribunal Judicial daquela comarca, à porta fechada.

O juiz titular do processo decidiu-se pela exclusão de publicidade do julgamento, em nome da defesa da privacidade das alegadas vítimas.

Nesta primeira sessão, está a ser ouvida a arguida.

Segundo o despacho de pronúncia, os maus-tratos eram físicos e verbais e ocorreram entre 2009 e 2016, nas escolas de Aldreu e Fragoso, sendo as vítimas os alunos mais lentos e com maiores dificuldades de aprendizagem.


Quando ouvida em interrogatório judicial, a professora negou perentoriamente as agressões, sublinhando que exerce há mais de 30 anos, tendo sempre mantido as melhores relações pessoais com os alunos.

Referiu que alguns dos alunos eram especialmente problemáticos, tendo, por isso, de recorrer a um tom de voz mais ríspido com eles.


A docente é acusada de uso frequente de calão grosseiro em frente aos alunos e de lhes dirigir expressões insultuosas

As agressões físicas passariam, nomeadamente, por bofetadas, calduços (pancadas na nuca) ou agressões na cabeça com canetas ou com os dedos em que tinha anéis.

Os alunos sofreriam ainda outros castigos, como não frequência das atividades extracurriculares ou privação dos recreios.


Os adultos que trabalharam nas escolas da arguida e que foram ouvidos, desde auxiliares a professores e psicólogos, disseram todos que não presenciaram as agressões.

A juíza de instrução refere que a isto não deverá ser alheio o facto de a arguida ser, na altura, a coordenadora do agrupamento.

Mas, sublinha, o não terem presenciado não significa que as agressões não tenham existido.

Vinca ainda que as queixas continuaram quando a professora mudou de escola, de Aldreu para Fragoso.