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CGTP avisa Governo que não pode dizer que é de esquerda e manter medidas de direita

08/03/2018 15:57

O secretário-geral da CGTP avisou hoje o Governo que não se pode dizer que se é de esquerda e manter legislação laboral de direita, afirmando que o executivo será confrontado com mais conflitualidade caso mantenha cumplicidade com o patronato.

Em Guimarães, numa conferência de imprensa da Federação dos Sindicatos dos Trabalhadores Têxteis, Lanifícios, Vestuário, Calçado e Peles de Portugal (FESETE), que anunciou uma greve setorial para dia 23 de março, Arménio Carlos apelou novamente ao Governo para que apoie favoravelmente a proposta do PCP que pretende revogar a norma da caducidade e a reintrodução do princípio do tratamento mais favorável.

Não se pode dizer que se é um Governo de esquerda mantendo políticas que asseguram a manutenção da legislação laboral de direita, avisou o sindicalista.

Segundo Arménio Carlos, a legislação laboral é, entre outras, uma linha divisória entre a conceção de direita e a conceção de esquerda e acrescentou: Se o Governo do PS quer continuar a manter uma postura de cumplicidade com as confederações do patronato no que respeita à legislação do trabalho, mantendo tudo o que foi imposto pela política de direita e da ‘troika’, assumirá as responsabilidades.

Pela nossa parte, será confrontado com mais conflitualidade, avisou.

Partindo do exemplo claro de comportamento anti-negocial que a FESETE acusou a Associação de Têxteis de Portugal (ATP) de estar a assumir, o líder da CGTP afirmou que o executivo liderado por António Costa deve também retirar ilações do impasse nas negociações no setor têxtil.

Tem aqui o exemplo claro do comportamento anti-negocial da ATP que justifica que tome medidas no sentido de no próximo dia 15 na Assembleia da República dar suporte com os votos dos deputados do PS a uma proposta que vai ser apresentada pelo PCP com vista à revogação da norma da caducidade e à reintrodução do principio do tratamento mais favorável, apontou.

Arménio Carlos fez ainda questão de voltar a insistir na necessidade de aumentar o salário mínimo nacional, argumentando que se trata de um investimento.

O aumento dos salários é sempre um investimento com retorno. É um investimento que se faz hoje sabendo de antemão que amanhã as pessoas tendo mais poder de compra vão consumir mais e as empresas vão vender mais, explicou.