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Falta valorizar património escondido no monte da Santa Marta das Cortiças

25/02/2018 11:02

Reflorestação do monte da Santa Marta das Cortiças com mais de 300 sobreiros começou, ontem, com a ajuda de dezenas de voluntários. Presidente da Junta de Esporões reivindica mais atenção para aquela zona do concelho, que guarda muita história.

Foram muitos os voluntários que, ontem, arregaçaram as mangas e plantaram árvores autóctones no monte da Santa Marta das Cortiças, na freguesia de Esporões. O objectivo é plantar mais de 300 sobreiros para devolver a cor verde que desapareceu no incêndio do passado dia 15 de Outubro. Para o presidente da Junta de Freguesia de Esporões, João Oliveira, este é apenas o primeiro passo para valorizar o património escondido de uma zona que guarda muita história e que está semi-abandonada.

A Junta de Freguesia de Esporões tem tido a preocupação ambiental, mas a iniciativa realizada ontem surgiu da necessidade de dar nova vida a este espaço, já que muitas árvores morreram no incêndio, justificou o presidente, destacando o envolvimento da comunidade, nomeadamente das associações e das escolas. Desta vez, pretendemos alargar o horizonte ao concelho e pedimos colaboração à Câmara Municipal de Braga, que forneceu os sobreiros e deu todo o apoio logístico e de divulgação necessário, adiantou João Oliveira, referindo que o que se pretende para além de plantar os 300 sobreiros é sensibilizar as pessoas para esta temática, de modo a que cada pessoa mantenha uma ligação afectiva com o sobreiro que vai plantar.

Por no monte da Santa Marta das Cortiças ter estado o primeiro povoado de Braga, havendo ainda ruínas da idade do Ferro, João Oliveira deixou o desafio: temos de valorizar e cuidar este património escondido. E o autarca foi mais longe: temos a infelicidade de não estar na moda e o que pretendemos é virar os holofotes para Esporões, colocando o monte da Santa Marta das Cortiças no roteiro da natureza e património. A autarquia já está a trabalhar nesse sentido com uma intervenção, ansiada há 40 anos, que vai ligar o centro da freguesia ao monte. A obra não está terminada, porque entretanto sofreu com os incêndios e as chuvas, mas ficará pronta em breve, assegurou o presidente, acreditando que se vai conseguir fazer desta zona o melhor ponto de convívio e de contacto com a natureza.
Presente na acção de reflorestação esteve o vereador do Ambiente da Câmara Municipal de Braga, Altino Bessa, que assegurou que esta zona já faz parte do roteiro dos percursos pedestres, mas é preciso dar mais visibilidade e impulso com actividades e acções.

Actualmente, o concelho tem já seis percursos sinalizados e homolgados, estando previsto a inauguração do sétimo na freguesia de Este S. Mamede. Este impulso tem de partir das juntas de freguesia, envolvendo a comunidade, porque se não houver essa vontade isto não vai funcionar, alertou o vereador, adiantando que há feedback de muitos turistas que fazem estes percursos.
Entre as dezenas de voluntários que aceitaram o desafio, o Correio do Minho falou com Marlene Carvalho, que levou o filho André a participar nesta iniciativa. O monte ardeu todo e isto é o pouco que podemos fazer para ajudar a devolver o verde a esta zona que faz parte da minha história de vida, confidenciou aquela moradora de Esporões, assumindo a importância de passar a mensagem aos mais novos. Vimos passear para cá muitas vezes e, a partir de agora, vamos cuidar dos sobreiros que estamos a plantar, assumiu o pequeno André, de 9 anos.
Também António Machado, de Esporões, não faltou à chamada. Entristece-me ver o nosso monte assim. Santa Marta precisa de ser mais acarinhada pelos bracarenses, aqui temos natureza, mas também muita história, disse.

Município contesta valor atribuído para mitigar danos dos incêndios

A Câmara Municipal de Braga já contestou junto do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) a atribuição do valor de pouco mais de 90 mil euros para mitigar os danos provocados pelos incêndios que afectaram o concelho no passado dia 15 de Outubro.
A candidatura apresentada pelo Município de Braga foi de 150 mil euros, sendo que o ICNF já tinha viabilizado o valor de 128 mil euros. A semana passada, o município foi informado que o valor atribuído será de pouco mais de 90 mil euros. Apresentamos, em direito de audiência, na semana passada, uma contestação junto do ICNF, porque o que sentimos é que há milhões e depois esses milhões não chegam para a dimensão dos incêndios do dia 15 de Outubro, lamentou Altino Bessa, referindo que a ordem política é de cortar de alguma maneira para o dinheiro chegar, mesmo que esse dinheiro não resolva os problemas essenciais, inclusive daquilo que estava identificado, à partida, pelo ICNF.

O ICNF abriu um aviso, cujo prazo de entrega foi em meados de Dezembro. Mesmo antes de abrir esse aviso, o Município de Braga já tinha toda a informação para entregar. Fomos o primeiro município a fazer esse trabalho de reconhecimento no terreno das áreas sensíveis nas questões da erosão e da manutenção de linhas de água, informou o vereador, assumindo que a autarquia já apresentou um valor com muita contenção de custos.
O Município de Braga viu com espanto a decisão, por isso, já contestou. Altino Bessa considera que há aqui uma gestão política do dinheiro e aquilo que estão a fazer é que prometem milhões e depois cortam em tudo para tentar dividir os males pelas aldeias, indo contra os princípios definidos pelo próprio ICNF. E o vereador foi mais longe: o dinheiro que foi disponível era claramente pouco e agora a única forma é fazer uma gestão política do dinheiro e não técnica, por isso, pegam na tesoura e cortam a torto e a direito e sem critério. Foi tudo mal calculado em termos de dimensão e de valores necessários para dar algum suporte às intervenções que são necessárias efectuar nos locais afectados pelos incêndios.
Sobre a candidatura apresentado pelo Município de Braga à Agência Portuguesa do Ambiente (APA), Altino Bessa informou que ainda não há nenhuma resposta, por isso, não se sabe oficialmente a verba que vai ser atribuída.