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Médicos contra licenciatura em medicina chinesa ameaçam com formas inéditas de protesto

14/02/2018 10:42

A Ordem dos Médicos acusa o Governo de ameaçar a saúde dos portugueses validando cientificamente práticas tradicionais chinesas através de uma licenciatura e admite avançar para formas inéditas de mostrar o descontentamento dos médicos.

Em causa está uma portaria conjunta dos ministérios da Saúde e da Ciência e Ensino Superior de validação da criação de ciclos de estudo que conferem o grau de licenciado em medicina tradicional chinesa.

Para o bastonário Miguel Guimarães, a criação de um ciclo de estudos com formação de quatro anos em práticas que não têm base científica constitui um perigo para a saúde e para as finanças dos portugueses.

O representante dos médicos considera mesmo que isto pode gerar atrasos em diagnósticos e tratamentos de situações potencialmente graves.

É importante que a população entenda que estes ciclos de estudo não habilitam à prática da medicina, que é exclusiva dos médicos, alerta, em declarações à agência Lusa.

Miguel Guimarães acusa o Governo de estar a contribuir para um retrocesso sem precedentes no que é a essência da fundamentação científica de investigação e na evolução da inovação tecnológica e terapêutica própria da medicina.

É uma atitude irresponsável, afirma, prevendo que irá provocar um aumento da publicidade enganosa.

A publicidade enganosa irá aumentar de forma brutal, legalizada pelo ministro da Saúde, acrescenta.

O bastonário refere que o ministro Adalberto Campos Fernandes introduz assim mais um fator de agravamento no desconforto e descontentamento dos médicos e diz que vai reunir-se com a comunidade médica para decidir formas inéditas de manifestarem o seu profundo desagrado.

A criação do ciclo de estudos em medicina tradicional chinesa é, para a Ordem, uma forma de induzir as pessoas em erro, criando licenciaturas em terapêuticas que não têm a devida fundamentação científica.

O bastonário afirma não estar a criticar as práticas tradicionais chinesas, mas diz que necessitam de uma investigação científica profunda e de uma regulação, que não significa a criação de licenciaturas.

Miguel Guimarães avisa que a portaria publicada na semana passada pode mesmo pôr em causa as relações institucionais entre a Ordem e o Governo.

A Ordem fica totalmente legitimada para liderar um processo de oposição firme de todos os médicos a uma política de saúde patológica que não serve os doentes, refere, indicando que a posição foi aprovada com total consenso pelo Conselho Executivo da Ordem.

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