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Obra a editar em março mostra faceta de repórter e cronista do poeta Herberto Helder

10/01/2018 17:42

Uma faceta menos conhecida de Herberto Helder, a de repórter em Angola, no semanário Notícia, motiva a obra “Em Minúsculas”, que reúne crónicas e reportagens realizadas pelo poeta, a editar em março, divulgou hoje a Porto Editora (PE).

Este livro resulta da investigação, transcrição, revisão e seleção de textos por Daniel Oliveira, filho do escritor, Diana Pimentel e Raquel Gonçalves, e reúne o trabalho jornalístico de Herberto Helder (1930-2015), realizado em Angola entre abril de 1971 e junho de 1972, que assinou como Herberto Helder e Luís Bernardo.

Entre as novidades apresentadas hoje pelo grupo editorial, em Lisboa, o editor Manuel Alberto Valente destacou igualmente a novela gráfica “O Velho e o Mar”, de Thierry Murat, a partir do romance homónimo de Ernest Hemingway, que faz parte de um projeto da editora iniciado no ano passado, com “O Diário de Anne Frank”, de Ali Folman e David Polonsky.

Neste semestre chega aos escaparates “Goa ou o Guardião da Aurora”, de Richard Zimler, um romance ambientado na cidade de Goa, em finais do século XVI, “Gungunhana”, de Ungulani Ba Ka Khosa, sobre o último imperador de Gaza, região moçambicana em torno da atual capital, Maputo.

Esta obra reúne “Ualalapi”, em que aborda a partida do líder moçambicano, que foi detido pelas tropas portugueses capitaneadas por Mouzinho de Albuquerque, em 1895, e que foi trazido para Portugal, e “As Mulheres do Imperador”, volume com o qual o escritor fecha a saga de Gungunhana, em que relata o regresso das mulheres do imperador, que lhe sobreviveram, a Moçambique, em 1911.

“Nó Cego”, que deu a conhecer Carlos Vale Ferraz, pseudónimo literário do militar Carlos de Matos Gomes, um dos primeiros romances publicados após a Guerra Colonial, com a ação centrada durante o conflito, é reeditado em maio, com uma profunda revisão pelo autor.

Na área da poesia, pela Assírio & Alvim, uma das chancelas da PE, vai regressar, em fevereiro, de Eugénio de Andrade, “Rente ao Dizer”, com prefácio de Frederico Bertolazzi, e, em junho, “À Sombra da Memória”, um livro de prosa publicado pela primeira vez em 1939.

Estes dois títulos são editados no âmbito do projeto de edição da Obra Completa de Eugénio de Andrade, distinguido em 2001 com o Prémio Camões.

Em fevereiro sairá o volume de “Poemas da Antologia Grega”, também conhecido como “Antologia Palatina”, que reúne poemas, e sobretudo epigramas, escritos entre o século VII antes de Cristo e o século IV, antes de Cristo, numa versão do poeta José Alberto Oliveira.

Esta chancela conta editar em junho o “Livro de Horas II”, de Maria Gabriela Llansol, e, em março, “Poemas escolhidos”, estreia em Portugal do poeta, editor e tradutor norte-americano Ron Padgett, numa tradução de Rosalina Marshall, que “trabalhou em diálogo com o autor”, disse hoje o editor Vasco David.

Ron Padgett, poeta, editor, tradutor, expoente da chamada Escola de Nova Iorque, que acompanhou autores como Jack Kerouac, Allen Ginsberg, entre outros da geração Beat, é o autor dos poemas de Paterson, de Jim Jarmush, e esteve em Portugal em novembro de 2016, para a antestreia do filme, no Lisbon & Estoril Film Festival.

Também em março são publicados “Poemas escolhidos”, do inglês William Wordsworth (1770-1850), numa edição bilingue, com tradução para português de Daniel Jonas.

De Henry Miller, a Livros do Brasil, uma das chancelas do grupo PE, vai reeditar a trilogia “Rosa-Crucificação”, que inicia em fevereiro com o romance de base autobiográfica “Sexus”, originalmente editado em 1949, em França, e cuja primeira edição em Portugal data de 1975.

São José de Sousa, da Livros do Brasil, afirmou que a trilogia estava esgotada em Portugal.

A edição de “Sexus” conta com um prefácio do crítico literário, escritor e tradutor João Palma-Ferreira (1931-1989), que foi diretor da Biblioteca Nacional.

Outro romance de base autobiográfica que vai ser reeditado por esta chancela é “Não Matem o Bebé”, do nipónico Kenzaburö Õe, que recebeu o Nobel da Literatura, em 1994. Este romance foi editado pela primeira vez em 1964 e chegou a Portugal na década de 1970.

Por esta chancela, de um outro distinguido com um Nobel, em 1957, Albert Camus, prémio que recusou, sai, em junho, “O Primeiro Homem”, romance autobiográfico que só foi publicado pela primeira vez em 1994, trinta anos depois de ter sido escrito.

Em maio, a Livros do Brasil edita “A Harpa de Ervas”, terceiro romance de Truman Capote, que teve a tradução edição portuguesa, assinada por Cabral do Nascimento, publicada há 60 anos, pela editorial Estúdios Cor.

Em junho, é publicada “A Tragédia da Rua das Flores”, de Eça de Queirós, que recupera e corrige o texto da primeira edição do romance, com fixação e notas dos investigadores A. Campos de Matos e João Medina.