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Seca: Formas de utilização da água serão prioridade em Portugal- IPMA

02/12/2017 10:17

A forma de utilizar a água vai ser uma prioridade em Portugal e os sistemas de recuperação deste recurso terão de melhorar o seu desempenho, defendeu o presidente do IPMA.

O uso da água vai ter de ser, em Portugal, uma prioridade. É verdade que existem áreas, em particular de hortofruticultura, muito tecnologizadas, mas esse procedimento tem de continuar e estender-se, afirmou o responsável do Instituto do Mar e da Atmosfera (IPMA), Miguel Miranda, em entrevista à agência Lusa.

Não podemos usar água de forma desregrada em Portugal, tanto no que diz respeito à utilização humana, como à agrícola, respondeu o responsável pelo IPMA, quando questionado acerca da forma de Portugal se adaptar à nova tendência climática, com possível aumento da frequência de fenómenos extremos, como a seca.

A totalidade do território do continente está em situação de seca extrema ou severa e alguns concelhos enfrentam dificuldades no abastecimento de água, como é o caso do distrito de Viseu.

Os sistemas de recuperação de água vão ter de melhorar muito a sua performance. Sei que existem planos de reutilizar a água que se pode extrair dos sistemas de tratamento de forma significativa, disse o responsável do IPMA.

Alguns países no mundo até já estão a injetar uma parte dessa água na rede de abastecimento, avançou.

Está em causa tratar as águas residuais para serem reaproveitadas, normalmente para serem usadas para lavar ruas ou carros ou regar jardins.

A recirculação ou os três R de que os ambientalistas tanto falam [reduzir o consumo, reutilizar e reciclar] têm de ser dramaticamente aplicados à água, defendeu Miguel Miranda.

O Governo parece estar sensibilizado para esta possibilidade e, na quarta-feira, anunciou que vai definir uma estratégia para a reutilização de águas tratadas e um plano de ação, principalmente dedicado às 50 maiores entidades gestoras de águas residuais (ETAR).

Nas situações mais extremas de falta de chuva até é possível que processos como a dessalinização tenham de ser encarados, apontou o presidente do IPMA.

Quanto à aposta nas barragens, com alguns a defenderem a criação de mais destas estruturas e o Governo a preferir aumentar a capacidade das existentes, o especialista em geofísica apontou que o país tem muitas barragens, o problema de Portugal não é bem o de reter a água.

É que as bacias hidrográficas que alimentam os nossos rios estão todas situadas na Península Ibérica, maioritariamente em Espanha, e a situação de seca em Espanha é pior que a situação de seca em Portugal, explicou.

O presidente do IPMA indicou que vai haver também adaptações do coberto agrícola e florestal.

Na agricultura, a tendência será optar por espécies menos consumidoras de água, na floresta o ordenamento que hoje é uma prioridade vai continuar nas primeiras páginas dos jornais nos próximos anos, disse.

O IPMA acompanha, no quadro da comissão da seca, a situação que desde a primavera se agravou. No verão, a expectativa até era um pouco mais positiva porque, no passado, em outubro, recomeçou sempre a chuva e, portanto, a situação de seca teve sempre alteração.

Este ano foi um dos primeiros em que isso não se verificou e em novembro é que conseguimos recuperar alguma precipitação, acrescentou Miguel Miranda.

Mas, é bom que haja a compreensão total das pessoas que, mesmo começando a chover agora, até repormos níveis normais, tanto a nível dos solos como das albufeiras, ainda vai demorar um tempo muito significativo, alertou.

À pergunta sobre se esta é a seca mais grave de sempre em Portugal, respondeu que na comparação com 2005 é sempre difícil, [mas] este é o mais longo período de seca sem qualquer dúvida.

A tendência é esta, mas há variabilidade e, portanto, nos anos que se vão seguir provavelmente vamos ter uma situação um pouco melhor, mas a tendência está aqui, referiu.

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