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Clima: Ambientalistas esperam que políticos percebam urgência da redução de emissões

04/11/2017 12:42

Ambientalistas e especialistas esperam que os políticos percebam a urgência de concretizar ações e aumentar a ambição de redução de emissões de gases com efeito de estufa e assumam compromissos na próxima reunião das Nações Unidas para o clima.

Para o especialista em alterações climáticas Filipe Duarte Santos, na 23.ª Conferência da Convenção das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP23), que se inicia na segunda-feira em Bona, trata-se sobretudo de definir um calendário para que os países se preparem para estabelecerem novas metas de mitigação dos efeitos do aquecimento global.

Sem objetivos mais ambiciosos de redução das emissões de gases com efeito de estufa (GEE), não vai ser possível o Acordo de Paris ser cumprido, defende Filipe Duarte Santos.

O Acordo de Paris conseguido em dezembro de 2015, durante a COP21, entrou em vigor em 04 novembro de 2016, depois de ratificado por países que representam 55% por cento das emissões globais de GEE, e tem como objetivo reduzir as emissões de modo a tentar limitar a subida da temperatura média do planeta aos 2º Celsius, assim como avançar formas de adaptação.

O presidente da Associação Sistema Terrestre Sustentável, Zero, Francisco Ferreira aponta que a posição dos países tem sido muito clara e, além do que se passou em Marraquexe, na COP22, no ano passado, com o reafirmar de todos os Estados, exceto dos EUA, de que Paris é para continuar, em Bona deverão ser reiterados os compromissos já conseguidos.

Um trabalho que deverá, segundo o ambientalista, prosseguir no dia 12 de dezembro, em Paris, numa cimeira convocada pelo Presidente francês.

Em discussão na COP23 em Bona, estarão questões como financiamento da adaptação, o mercado voluntário de emissões, o modo como se fixam as diferentes metas para diferentes países e como são monitorizadas e acompanhadas.

O acordo de Paris ainda não está regulamentado e só vai estar dentro de aproximadamente um ano, referiu Francisco Ferreira.

O ambientalista espera que os dados divulgados por organizações internacionais, como a Organização Mundial de Meteorologia, a referir que as concentrações de dióxido de carbono na atmosfera atingiram um nível recorde em 2016, façam os políticos reunidos em Bona perceber a urgência da ação.

O presidente da Quercus, João Branco, não tem expetativas muito elevadas, mas não deixa de ter esperança porque os sinais de alerta de organizações credíveis são muitos.

A COP23 é um bocado [para] marcar calendário, mas pode ser que haja, não decisões mas pelo menos indicações no que diz respeito ao regulamento do uso da terra e isso já seria importante, apontou João Branco.

Quanto aos países que ainda não estão no Acordo de Paris, defendeu que não se deixam convencer facilmente, e deu os exemplos da Rússia, Iraque, República Democrática do Congo ou Angola. Parece-me difícil que esses países venham a ter uma atitude positiva, salienta o presidente da Quercus.

Reconheço que é um problema extremamente difícil e que as pessoas ainda não se aperceberam bem do que vão ser as consequências das alterações climáticas dentro de umas dezenas de anos, alerta Filipe Duarte Santos.

É útil às pessoas meditarem sobre isto - não é um problema que afete muito as gerações atuais, mas sim as futuras, defende o investigador da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, acrescentando que é uma questão de solidariedade intergeracional ou, de uma maneira mais forte, de justiça intergeracional.

E recorda que, este ano, Portugal tem tido situações muito graves que não são exclusivamente devidas às alterações climáticas, mas que são amplificadas pelas alterações climáticas.

Sabia-se que o Acordo de Paris, por um lado, era um êxito, porque envolvia todos e é um processo que vai ter de ter respostas cada vez mais ambiciosas da parte de todos, também se sabia que uma das fragilidades era o facto de demorar o seu tempo a ter compromissos fortes de redução, resume Francisco Ferreira.

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