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Líder da FNE lembra que ainda há 500 mil adultos analfabetos em Portugal

02/11/2017 19:42

O líder da Federação Nacional de Educação (FNE) disse hoje que há muito trabalho a fazer no setor já que ainda há 500 mil adultos analfabetos e que todos os anos há convulsão com a colocação de professores.

Em declarações à Lusa à margem do fórum da FNE Um perfil de professor, um perfil de escola para um perfil de aluno que decorre até sexta-feira no Porto, João Dias da Silva frisou que apesar de a escolaridade obrigatória ser até ao 12.º ano, a escolaridade média não ultrapassa o oitavo ano.

Há mais de 500 mil adultos analfabetos, disse à Lusa, lembrando depois estudos recentes que dizem que o sucesso dos alunos é condicionado pelo nível cultural das mães.

Argumentando não poder-se transferir para Portugal o que se passa na Finlândia, na Holanda ou no Chile, nem transferir para lá o que se passa aqui, o sindicalista, assegurou, contudo, estarem atentos ao que se passa fora do país, para encontrar para a realidade nacional aquilo que é adequado.

É incompreensível que sucessivas administrações não sejam capazes de aplicar o que deve ser aplicado, considerou o dirigente da FNE para quem só uma colocação atempada dos professores num sistema que precisa, anualmente, de 120 mil docentes pode contribuir para o perfil desejado.

O presidente da comissão parlamentar de Educação e Ciência, Alexandre Quintanilha, fez algumas considerações sobre o que entende deve ser o ensino em Portugal enfatizando a necessidade de conseguir que os jovens sejam curiosos, imaginativos e que tenham a capacidade de trabalhar muito, sentindo, no final autoconfiança, algo que, sendo muito difícil de ensinar, se ganha e constrói.

Centrando-se na realidade digital em que vive a sociedade, Alexandre Quintanilha alertou que os dados não são informação, informação não é conhecimento, conhecimento não é compreensão e compreensão não é sabedoria.

Infetar os jovens com curiosidade e imaginação é talvez a tarefa mais compensadora no exercício da vossa profissão, disse à plateia que no auditório do Sindicato dos Professores da Zona Norte (SPZN) assistiu à abertura do fórum que termina na sexta-feira.

O fórum, que se estende até sexta-feira à hora de almoço, conta com a participação da diretora do Comité Sindical Europeu da Educação Susan Flocken, que falou sobre os desafios sindicais na Europa, enquanto Christian Chevalier, sindicalista francês, abordará o sistema educativo e os seus profissionais naquele país.

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