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Têxtil português aproveita conferência internacional no Porto para marcar posição

02/10/2017 17:42

A indústria têxtil e vestuário portuguesa quer aproveitar o facto de Portugal acolher pela primeira vez, na terça-feira, a convenção anual da confederação europeia do setor para assumir uma posição privilegiada no processo de reindustrialização europeia.

Em declarações à agência Lusa, o diretor-geral da Associação Têxtil e Vestuário de Portugal (ATP) avançou que em cima da mesa da conferência internacional da Euratex, que decorre no Porto, estarão “questões relacionadas com a nova ordem global”, num contexto em que “globalização está a chegar a uma fase mais madura que determina alguns rearranjos geopolíticos e geoeconómicos”.

“Uma das questões é o facto de se voltar a falar na reindustrialização dos países mais desenvolvidos, incluindo a Europa, e como isso se deverá fazer em termos efetivos, ou seja, como vamos trazer novamente as indústrias transformadoras para dentro da União Europeia e como vamos torná-las competitivas, que é a grande questão”, afirmou Paulo Vaz.

Para Paulo Vaz, este reposicionamento global “não podia vir em melhor altura” para Portugal, cujo setor têxtil e vestuário “é considerado um ‘case study’ [estudo de caso] internacional de sucesso”, sendo a conferência internacional da Euratex “uma oportunidade muito interessante para promover a indústria portuguesa à escala europeia”.

“Portugal teve um período muito difícil nos últimos 15 anos, com dois momentos quase bíblicos de sete anos de vacas magras e declínio e sete anos de vacas gordas e recuperação. Hoje é um caso que o mundo todo olha com muito interesse porque aquilo que nos propusemos fazer - subir na cadeia de valor, relocalizar a indústria, reindustrializar, aumentar as exportações, criar marcas e diversificar através dos têxteis técnicos - não ficou no papel e realizámos”, sustentou.

Sustentando que “a competitividade é sempre a base de as indústrias se localizarem ou não em determinado território”, o diretor-geral da ATP salientou que “os modelos de negócio são agora completamente diferentes” e, atualmente, “já não é tanta a importância do preço”, mas antes “a velocidade e como o mercado reage, o que implica uma maior proximidade entre a produção e os mercados de consumo”.

“Durante muitos anos parecia praticamente incontornável que se iria fazer a deslocalização das atividades de maior intensidade de mão-de-obra para o Oriente e para outros países com custos operativos mais baixos que a Europa e os EUA, mas a verdade é que muitas indústrias, desiludidas com aquilo que aí acontece, estão a regressar à Europa”, explicou.

Considerando que este cenário traz “oportunidades” para cima da mesa de países como Portugal, Paulo Vaz sustenta que “a própria Europa tem agora que apresentar condições para que a reinstalação ou relocalização das indústrias se faça de uma maneira vantajosa”.

“O preço não é central, mas é importante a questão dos custos, da diferenciação, da inovação tecnológica, do ‘design’, etc, e todas estas questões vão ser discutidas a uma escala europeia na terça-feira, com a fina flor do têxtil neste domínio, que vai estar entre nós”, destacou.

De acordo com os dados da ATP, o setor têxtil e vestuário português prepara-se este ano para “bater todos os recordes, desde o volume de negócios às exportações”, aproximando-se dos 7.700 milhões de euros de faturação dos 5.200 a 5.300 milhões de euros de exportações (em 2016 faturou 7.300 milhões de euros e exportou 5.000 milhões de euros).

Salientando que tal fará de 2017 “o melhor ano de sempre” para esta indústria nacional, Paulo Vaz destaca que tal acontece “com metade dos trabalhadores de há 15 anos, o que significa que houve um ganho gigantesco de produtividade e que a reinvenção feita do setor foi no sentido certo”.

Com a participação do ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral, e do presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N), Freire de Sousa, na sessão de abertura, a conferência da Euratex contará com 120 a 150 participantes de todas as associações que a compõem a nível a europeu.

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