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`Rapper` norte-americano Jay-Z usa tema do Quarteto 1111 em novo álbum

30/06/2017 16:57

O ‘rapper’ e produtor norte-americano Jay-Z utilizou partes (‘samples’) do tema “Todo o mundo e ninguém” do grupo português Quarteto 1111, editado em 1970, num dos temas do seu novo álbum, “4:44”, hoje divulgado.

“É uma honra perceber que estes anos todos depois há pessoas atentas à nossa obra e a ouvi-la”, afirmou, em declarações à Lusa, o músico e compositor Tozé Brito, um dos autores de “Todo o mundo e ninguém”.

O outro autor da canção é José Cid, cujo nome, tal como o de Tozé Brito, surge nos créditos de “Marcy Me”, o nono e penúltimo tema de “4:44”.

Para Tozé Brito e José Cid “foi uma surpresa”. “A canção foi gravada em 1970, saiu num ‘single’ e, para nosso espanto, foi apenas recuperada nos anos 1990 numa antologia do Quarteto 1111”, recordou.

Os dois artistas foram contactados pela editora de Jay-Z pedindo autorização para que o ‘rapper’ compusesse um tema “usando ‘samples’ da canção, inclusivamente vozes”, tendo respondido “com certeza que sim”.

“É uma honra que uma pessoa com o estatuto dele, a grandeza, a carreira que tem e o nome que tem, esteja a usar 47 anos depois de a canção ter sido escrita, uma canção que nós escrevemos. Isto para nós é uma honra”, sublinhou Tozé Brito.

A autorização foi “negociada”, mas Tozé Brito escusa-se a adiantar montantes. “Os números não vou divulgar, são confidenciais. Uma parte dos direitos de autor da canção vai para o José Cid e para mim”, disse.

No ar permanece uma “grande dúvida”: “Ainda não consegui perceber como é que ele chegou à obra do Quarteto 1111, sendo que estamos a falar de uma canção de 1970, reeditada em CD nos anos 1990”.

Apesar disso, o importante “é que chegou”. “E isso honra-nos muito, porque quer dizer que a obra do Quarteto 1111 é considerada, é ouvida, às vezes por pessoas que nem nós suspeitamos que a podem ouvir”, afirmou.

“Todo o mundo e ninguém” foi escrita “sobre um poema de Gil Vicente”. Na altura, o Quarteto 111 tinha “muitos discos proibidos pela censura”, então Tozé Brito e José Cid recorriam “a textos da literatura que não eram censuráveis”, mas continham críticas.

“Este tema é uma crítica social muito forte, e era por isso que íamos buscar estes textos”, recordou o compositor.

O novo disco de Jay-Z, “4:44”, sucessor de “Magna Carta Holy Grail”, de 2013, foi disponibilizado hoje em exclusivo na plataforma de `streaming` Tidal, criada por aquele ‘rapper’ e produtor.

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