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DBRS aguarda progressos duradouros para subir perspetiva do `rating` de Portugal

21/04/2017 20:42

A analista da DBRS Nichola James disse à Lusa que a agência de `rating` reconhece os progressos de Portugal, mas considera que é preciso que estes sejam feitos de forma duradoura e sustentável para melhorar a perspetiva.

A agência de notação financeira canadiana DBRS anunciou hoje que manteve o `rating` atribuído a Portugal em `BBB` (baixo), o primeiro nível de investimento, acima do `lixo`, deixando também inalterada a perspetiva estável, o que sinaliza a intenção de não alterar esta nota no médio prazo.

Em entrevista à Lusa, a analista Nichola James disse que a DBRS manteve a perspetiva estável por três razões: a demonstração do compromisso do Governo de cumprir as regras orçamentais europeias, a tentativa de resolver as vulnerabilidades que persistem no setor bancário e o facto de os elevados custos de financiamento estarem a ser mitigados pelo perfil estável da dívida.

Mas, para melhorar a perspetiva do `rating` para positiva, o que sinalizaria a intenção da agência de subir o `rating` de Portugal, a DBRS teria de ver estas melhorias de forma muito mais duradoura e sustentável durante um período maior de tempo.

Reconhecendo que houve uma melhoria no ano passado e antecipando que o rácio da dívida pública face ao Produto Interno Bruto (PIB) comece a cair este ano, Nichola James considera que isso não é suficiente para rever já a perspetiva do `rating` atribuído ao país.

A analista da DBRS adverte ainda que um período prolongado de taxas de juro elevadas sem que a isso corresponda um nível de crescimento económico superior ao verificado será visto de forma adversa porque iria afetar a dinâmica da dívida a prazo.

Quanto ao crescimento económico, a DBRS entende que a expectativa de que a economia portuguesa cresça a um ritmo de 2% ao ano a partir de 2021 é otimista.

Só olhando para o esforço estrutural que foi feito até agora, ele é encorajador, mas achamos que é preciso fazer muito mais para melhorar o crescimento potencial. Para alcançar um crescimento de cerca de 2% ao ano, é preciso mais esforço estrutural e é esse o problema, resumiu.

A frente orçamental é outro foco da atenção da agência canadiana, que alerta que a melhoria estrutural no ano passado não foi tão grande como o esperado e que algumas medidas são one-off [temporárias] ou então devem-se a fatores cíclicos como o maior crescimento na segunda metade do ano passado.

Referindo-se às cativações de despesa feitas pelo ministério de Mário Centeno em 2016 para garantir uma execução orçamental positiva, Nichola James diz que a DBRS percebe que o Governo pode fazer isso, mas que preferia que houvesse mais progressos nas reformas orçamentais para melhorar a eficiência da despesa.

Em 2016, Portugal fechou o ano com um défice orçamental de 2% do PIB e uma dívida de 130,4% e, para 2017, o Governo espera reduzir o défice para os 1,5% e a dívida para os 127,9%. Os dois indicadores deverão melhorar gradualmente, atingindo-se um saldo orçamental positivo em 1,3% em 2021 e uma dívida de 109,4% no mesmo ano, de acordo com as últimas projeções das Finanças.

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